Dois homens da Dior

Momento confessionário: ainda que eu defenda que perfume é anjo (não tem sexo, né?), quando eu me tornei protótipo de adulta (lê-se: estudante universitária), há muitos e muitos anos atrás, eu só usava perfumes ditos masculinos. Na época eu era do contra, abominava flores e doçura e me encontrava nos amadeirados e aromáticos machões. Engraçado que os meninos não acreditavam quando eu dizia que tava lá ostentando uma fragrância feita pra eles. A pele humana é mesmo mágica. 

Enfim, o tempo e aquela vibe passaram e parti pro meu jeito van mulherzinha de ser. É claro que eu sigo fã e usuária de algumas maravilhas ditas barbudas, como o Pi (Givenchy) - que nem tem tanta barba assim -, mas, de modo geral, acabei me afastando do mundão "testosterona feelings". Não me vejo mais usando cheiros com acento tradicional and essencialmente masculino mercadologicamente falando. O passado ficou pra trás, enfim. Mas tem tanta coisa boa focada na população XY que a mulherada pode e deve usar sem medo, que eu me sinto na obrigação de botar na roda. Pretendo falar mais sobre eles.

E foi de tanto ouvir a galera dos cromossomos XX recomendando prazamigue o badalado Dior Homme (Dior) que, bão, meu nariz ficou curioso. E lá fui eu atrás desse macho. Pra aproveitar a viagem, cafunguei também o irmão dele, Dior Homme Sport. E o que encontrei é o que se segue.

Dior Homme
Conheci um perfume que eu já conhecia. Eu não sabia, mas cansei de sentir esse cheiro por aí quando eu era pessoa de balada (faz tempo isso, gente, faz tempo). Cafunguei a versão Eau de Toilette, que foi reformulada e, dizem, perdeu potência mas segue com o mesmo DNA. Ela tem cardamomo, bergamota, lavanda, íris, patchouli, cacau, couro e vetiver. Ela é morna, macia e, de fato, super unissex. A saída é cítrica com toque de lavanda e logo vira outra coisa. Vira cheiro de maquiagem. Começa como batom vermelho antigo de embalagem dourada e vira pó compacto clarinho; tudo culpa da íris. Admito que me senti um pouco incomodada e enjoada com isso tudo, que ficou absurdamente gritante na minha pele. Porém, duas horas depois, fui levada ao paraíso. A íris aquietou, ficou mais elegante, levemente atalcada, e conheci o cacau, quase cremoso, doce na medida. Aqui a coisa me abraçou, ficou linda, profunda e confortabilíssima. Será que a brisa sequinha que eu senti enquanto eu conversava com o cacau era o couro? Pode ser. No final, terminou tudo bela e comedidamente amadeirado. Não vi nada marcando território aqui. Definitivamente, Dior Homme é super compartilhável. Compraria se não fosse a íris inicial, e olha que eu amo íris, mas aqui ela não é pra mim. Todo o resto achei incrível, incluindo o cheirinho de lápis de cor que ficou na pele no dia seguinte. Yes, fixação estupenda!


Dior Homme Sport
Não vi relação dele com o Dior Homme. Pra mim ele é um flanker que anda sozinho, é outra coisa, outro perfume. Ele também foi reformulado, e tem limão, gengibre, íris, vetiver e cedro. Mais arejado e pró-ativo (Dior Homme é mais quente e espera que lhe sirvam o uísque no copo), Sport leva a sério a dobradinha limão e gengibre, bem proeminente cá por estas bandas. Fresco e picante, ele é cheio de energia sem perder a sofisticação. O vetiver que eu encontrei aqui deixou a coisa um pouco mais máscula (e, aposto, é isso que faz a alegria dos homens que não curtiram o Dior Homme original). A íris é super suave e não chega nem perto do que ela é no tradicional (a maquiagem ficou no Dior Homme mesmo). Momento vergonha alheia: outro dia segui em silêncio curioso um cara porque eu queria "acompanhar" o belíssimo perfume dele (#quemnunca). Depois eu descobri que era o Dior Homme Sport. Palmas pra mim! Fixação estupenda aqui também. 

Comentários

  1. Sei não, Van....tradicionalmente a perfumaria é injusta com o bicho XY. Tive trajetória super parecida com a sua, mas ao inverso, rs. Cansei de tanta lavanda, tanto vetiver, tanta madeira, tanto couro, tanto fougere.....cansei, sabe? Com o fim da faculdade, com a maturidade - leia-se mais autoconfiança - entrei pesado nos florais, gourmands, nas baunilhas e seja lá o que mais se convencionou se chamar de "feminino". Uso eles e os amigos XY elogiam tanto, mas quando ficam sabendo que é feminino....Conheço somente a versão sport do Dior, presente de um cunhado, e não gostei, mas usei até acabar (jogar fora um Dior? nunca, kk). Acho que gostarei mais do tradicional e da versão Intense, que pretendo ter em breve. Ótima resenha dos dois, adorei.

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  2. Já experimentei amostras desses dois, são bons mesmo. Mas não consigo fazer resenha porque perfume de homem me dá dor de cabeça logo nos primeiros segundos, exceto quando acompanhado da pele de um homem.

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  3. Nossa, entendo ao cubo o comentário do Ubiratan! Realmente é difícil sair das paredes em que prenderam o universo de perfumes masculino, não vejo razão pra isso...
    E eu compraria fácil o Sport, viu?

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  4. Ubiratan, acho que o problema tá é na perfumaria em si. Sempre mais do mesmo pros dois lados. É tão raro a gente encontrar algo diferente e sublime seja pra qual público for, né? Tem dia que bate até um desespero em mim e penso em me "desviciar" dessa coisa toda, mas quem disse que eu consigo? rs Sobre o Homme, vai preparado pra íris inicial. Ela pega pesado. Mesmo não tendo curtido essa vibe, achei esse perfume fantástico! Bem melhor do que o Sport, aliás.

    Helen, é coisa de alguma nota específica isso, viu? Chuto no vetiver. Ele me dá dor de cabeça às vezes também.

    Mulher sem Photoshop, eu acho que é difícil sair das paredes em que prenderam os dois universos, viu? É tanto mais do mesmo pra todo mundo que a coisa anda me deixando bem triste e desestimulada ultimamente.

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  5. Bom dia! Gostei muito da sua resenha e do seu Blog... Há pouco tempo atrás eu não conseguia me imaginar usando um perfume floral, só em pensar eu já enjoava, só usava os extremamente amadeirados ou cítricos, os ditos masculinos. Bem, isso passou e minha coleção está bem diversificada agora, tenho desde o Azzaro Pour Homme (extremamente masculino) até o dulcíssimo Natura Una Intenso. Amo o Joop! Homme, que muitos insistem em dizer que é floral demais para homens. Acho que hoje em dia os perfumes deixaram de ter sexo, eles ficaram "Total Flex" se é que podemos chamá-los assim. Ah! mas ainda tem aqueles que eu não usaria de jeito nenhum: O Egeo Dolce, de O Boticário é um deles... Super doce e enjoativo, só em lembrar dele, meu estômago já está embrulhado. rsrsrsr

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  6. Oi, Têko! Adorei sua definição: "total flex"! rs É bem isso mesmo. No mais, a gente não pode nunca se prender a rótulos, se não a gente deixa de conhecer cada coisa incrível, né? E hoje eu gosto de tudo, até dos doces (menos do Egeo Dolce rs).

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